Introdução
Se lhe disseram que precisa de cirurgia das glândulas salivares, provavelmente já ultrapassou a fase de se questionar o que está a causar o inchaço, o nódulo ou as infeções repetidas. É provável que já tenha feito uma ecografia ou biópsia, que o diagnóstico já tenha sido discutido, e que a cirurgia faça agora parte do plano. Este guia foi escrito para esse momento — quando já compreende, de forma geral, o que se passa, mas quer saber o que a operação realmente envolve, como será a recuperação e o que esperar depois.
As doenças das glândulas salivares são comuns, mas a cirurgia a estas glândulas é uma área cuidadosa e especializada da prática de otorrinolaringologia (ORL) e de cabeça e pescoço. As glândulas situam-se perto de nervos faciais importantes, pelo que a operação tem tanto de proteção desses nervos como de remoção do tecido afetado. Este artigo explica os diferentes tipos de cirurgia das glândulas salivares, como a operação é planeada e realizada, a recuperação e os riscos, e as questões práticas que a maioria dos doentes coloca antes de avançar.
O Que É a Cirurgia das Glândulas Salivares?
A cirurgia das glândulas salivares é um conjunto de operações realizadas nas glândulas que produzem saliva. A saliva ajuda a mastigar, engolir, saborear, falar e proteger os dentes e as gengivas de infeções. Quando uma glândula fica bloqueada, infetada ou desenvolve um crescimento anormal, a cirurgia é uma das formas de os médicos restaurarem o conforto e de excluírem ou tratarem uma doença grave.

*Imagem gerada por IA - apenas para fins ilustrativos. A precisão clínica não é garantida.
- Glândulas parótidas — o maior par, situado à frente e abaixo de cada orelha. O nervo facial, que controla os músculos da expressão facial, atravessa diretamente a glândula parótida.
- Glândulas submandibulares — situadas mesmo abaixo do maxilar inferior, de cada lado. Produzem a maior parte da saliva que se produz em repouso.
- Glândulas sublinguais — glândulas mais pequenas, situadas sob a língua, no pavimento da boca.
- Glândulas salivares minor (acessórias) — centenas de pequenas glândulas espalhadas pelos lábios, bochechas, palato e garganta.
Dependendo do problema, a cirurgia pode significar a remoção de um cálculo, a abertura de um ducto bloqueado, a remoção de parte de uma glândula, a remoção da glândula inteira, ou a remoção de um tumor juntamente com o tecido circundante. O objetivo é aliviar os sintomas, confirmar ou tratar um diagnóstico (especialmente se estiver envolvido um tumor) e preservar, tanto quanto possível, os nervos e tecidos à volta da glândula.
Porque É Realizada a Cirurgia das Glândulas Salivares?
A cirurgia costuma ser considerada apenas depois de um diagnóstico claro através de exame clínico e de imagem, por vezes apoiado por biópsia por agulha fina. As razões mais comuns para a cirurgia das glândulas salivares incluem:
Cálculos Salivares (Sialolitíase)
Podem formar-se cálculos dentro do ducto de uma glândula salivar, mais frequentemente na glândula submandibular. Bloqueiam o fluxo de saliva, causando dor e inchaço que pioram à hora das refeições. Cálculos pequenos, próximos da abertura do ducto, podem por vezes ser removidos em consulta, mas cálculos maiores ou mais profundos, ou que reaparecem repetidamente, podem precisar de cirurgia.
Tumores Benignos
O tumor benigno mais comum das glândulas salivares é o adenoma pleomórfico, que geralmente se forma na glândula parótida. Apesar de não ser canceroso, os médicos geralmente recomendam a remoção porque pode crescer lentamente, tornar-se mais difícil de remover com segurança ao longo do tempo e, num pequeno número de casos, transformar-se num cancro muitos anos depois.
Cancro das Glândulas Salivares
Os cancros das glândulas salivares são incomuns, mas ocorrem. A glândula parótida é o local mais frequente, embora os cancros possam surgir em qualquer glândula salivar. A cirurgia é geralmente o tratamento principal, por vezes seguida de radioterapia, dependendo do tipo e do estádio do tumor.
Infeção Crónica ou Recorrente
Quando uma glândula foi danificada por infeções repetidas, cicatrização ou doença autoimune, pode deixar de funcionar corretamente e continuar a causar inchaço e dor. A remoção da glândula afetada pode resolver sintomas de longa data.
Quistos e Outras Lesões
As rânulas (quistos mucosos no pavimento da boca), os mucocelos e outras lesões quísticas por vezes precisam de remoção cirúrgica, especialmente se reaparecerem depois de uma drenagem simples.
Ductos Bloqueados Não Causados por Cálculos
Tecido cicatricial, estreitamentos (estenoses) ou tampões de muco podem bloquear o fluxo de saliva na ausência de cálculos. Estes casos podem por vezes ser tratados com sialendoscopia, um procedimento descrito adiante.
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Quem É Candidato?
O facto de ser ou não candidato à cirurgia das glândulas salivares depende do problema em causa, do quanto o afeta e da sua aptidão geral para uma operação. Os cirurgiões de ORL e cabeça e pescoço consideram habitualmente a cirurgia nas seguintes situações:
- Um nódulo ou massa numa glândula salivar que precise de ser removido para diagnóstico ou tratamento, especialmente se os exames de imagem ou a biópsia sugerirem um tumor
- Episódios repetidos de dor ou inchaço que não responderam a medicação, hidratação, massagem da glândula ou procedimentos no ducto
- Cálculos grandes ou profundamente colocados que não podem ser removidos pela boca nem por sialendoscopia
- Cancro confirmado ou suspeito de uma glândula salivar
- Quistos ou rânulas que reaparecem repetidamente
- Glândulas cronicamente danificadas que causam sintomas persistentes
Antes da cirurgia, o seu cirurgião irá rever o seu histórico médico, os medicamentos atuais (particularmente anticoagulantes), outras condições de saúde e os resultados dos seus exames de imagem e biópsia. Pessoas com problemas cardíacos, pulmonares ou de coagulação significativos podem precisar de avaliação adicional para tornar a anestesia tão segura quanto possível.
Alternativas à Cirurgia
Nem todos os problemas das glândulas salivares precisam de cirurgia. Dependendo do diagnóstico, as alternativas ou opções de primeira linha podem incluir:
Tratamento Conservador e Médico
Para infeções agudas, o tratamento começa geralmente com antibióticos, compressas quentes, boa hidratação, massagem suave da glândula e sialogogos, como rebuçados ácidos, para estimular o fluxo de saliva. Muitas infeções resolvem-se sem qualquer cirurgia.
Sialendoscopia
A sialendoscopia é uma técnica minimamente invasiva na qual um endoscópio muito fino é introduzido através da abertura natural do ducto salivar na boca. O cirurgião consegue observar diretamente o interior do ducto e tratar o problema a partir de dentro — removendo resíduos, fragmentando ou retirando pequenos cálculos, dilatando segmentos estreitos ou orientando dispositivos de fragmentação de cálculos. Muitos cálculos salivares e estenoses do ducto podem hoje ser tratados desta forma, frequentemente como procedimento de ambulatório. Quando os cálculos são demasiado grandes ou estão demasiado profundamente incrustados, a sialendoscopia pode ser combinada com uma pequena incisão externa ou intraoral (abordagem combinada) para preservar a glândula em vez de a remover.
Observação
Nódulos benignos pequenos e de crescimento lento, claramente caracterizados por exames de imagem e biópsia, podem por vezes ser vigiados, particularmente em doentes mais idosos ou com outros problemas de saúde significativos. Esta é uma decisão tomada cuidadosamente com o cirurgião, ponderando os riscos da vigilância face aos riscos da operação.
Radioterapia e Outros Tratamentos Oncológicos
Para os cancros das glândulas salivares, a cirurgia é geralmente o tratamento central, mas a radioterapia — por vezes combinada com quimioterapia — é utilizada em casos selecionados, especialmente quando a cirurgia isolada não é possível ou quando existe um risco elevado de recorrência. O plano exato é decidido por uma equipa multidisciplinar que inclui cirurgiões de cabeça e pescoço, oncologistas e radiologistas.
Tipos de Cirurgia das Glândulas Salivares
A operação realizada depende de qual a glândula envolvida e do que está a ser tratado. Os principais tipos são descritos a seguir.
Parotidectomia (Cirurgia da Glândula Parótida)

*Imagem gerada por IA - apenas para fins ilustrativos. A precisão clínica não é garantida.
- Parotidectomia superficial remove a parte da glândula que se situa acima do nervo facial. É frequentemente usada para tumores benignos, como os adenomas pleomórficos.
- Parotidectomia superficial parcial (extracapsular) remove uma pequena porção de tecido glandular à volta de um nódulo benigno, com menos dissecção do nervo. É usada para tumores benignos pequenos e bem localizados.
- Parotidectomia total remove toda a glândula, incluindo o tecido abaixo do nervo facial. É geralmente reservada para tumores que se estendem mais profundamente ou para cancros.
- Parotidectomia radical ou alargada pode envolver a remoção do nervo facial e das estruturas circundantes quando o cancro se disseminou para elas. É incomum, mas por vezes necessária em doença avançada.
Excisão da Glândula Submandibular
A glândula submandibular é removida através de uma pequena incisão numa prega natural da pele na parte superior do pescoço, geralmente alguns centímetros abaixo da linha do maxilar. O cirurgião evita cuidadosamente três nervos importantes próximos da glândula: o ramo marginal mandibular do nervo facial (que move o lábio inferior), o nervo lingual (que transmite sensibilidade e paladar da língua) e o nervo hipoglosso (que move a língua). Esta operação é mais frequentemente realizada para cálculos recorrentes, infeção crónica ou tumores da glândula submandibular.

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Excisão da Glândula Sublingual
A glândula sublingual é removida através da boca, sem incisão externa. É mais frequentemente retirada para tratar uma rânula (um quisto que surge da glândula) ou, menos comummente, um tumor. O nervo lingual e o ducto submandibular estão muito próximos e são cuidadosamente protegidos durante a cirurgia.
Sialendoscopia e Procedimentos de Preservação da Glândula
Como referido acima, a sialendoscopia pode ser um tratamento isolado para cálculos e problemas do ducto. Também pode ser combinada com uma pequena incisão dirigida para remover um cálculo maior, mantendo a glândula no lugar. Os cirurgiões favorecem cada vez mais as abordagens de preservação da glândula quando esta está, de resto, saudável, porque a remoção de uma glândula é um passo permanente.

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Cirurgia das Glândulas Salivares Minor
Nódulos ou tumores originados em glândulas salivares minor — no lábio, palato, bochecha ou garganta — são removidos localmente, frequentemente através da boca. A dimensão da operação depende do diagnóstico.
Preparação para a Cirurgia das Glândulas Salivares
Depois de a cirurgia estar planeada, o processo de preparação é semelhante ao de muitas operações de cabeça e pescoço:
- Consulta pré-operatória: o seu cirurgião explicará o que será removido, a localização esperada da cicatriz, os riscos específicos da sua operação (especialmente os riscos relacionados com os nervos) e o cronograma de recuperação provável. Este é o momento certo para colocar todas as suas dúvidas.
- Exames: são normalmente marcados análises ao sangue, um eletrocardiograma (ECG) e, por vezes, uma radiografia ao tórax, para confirmar a aptidão para a anestesia. Os seus exames de imagem (ecografia, TC ou RM) serão revistos em detalhe.
- Revisão da medicação: anticoagulantes como aspirina, clopidogrel ou varfarina podem precisar de ser ajustados ou suspensos temporariamente. Os medicamentos para a diabetes, os comprimidos para a tensão arterial e os inaladores são geralmente mantidos, com instruções específicas para a manhã da cirurgia. Siga sempre as instruções do seu cirurgião e anestesista, em vez de suspender medicamentos por conta própria.
- Tabaco e álcool: deixar de fumar, mesmo que apenas algumas semanas antes da cirurgia, pode ajudar na cicatrização e reduzir complicações respiratórias. Limitar o álcool também é útil.
- Jejum: geralmente pedir-se-á que não coma durante cerca de seis horas e que não beba líquidos claros durante cerca de duas horas antes da cirurgia, mas o seu hospital indicará os horários exatos.
- Avaliação dentária: para algumas operações, particularmente as de maior dimensão, uma avaliação dentária é útil para tratar quaisquer infeções ativas antecipadamente.
A preparação prática também é importante. Combine que alguém o traga de volta a casa, planeie alimentos moles para os primeiros dias e prepare um local confortável para descansar, com a cabeça ligeiramente elevada.
O Que Acontece Durante a Cirurgia das Glândulas Salivares
Os detalhes variam consoante a operação, mas um dia típico é assim:
Anestesia
A maioria das operações às glândulas salivares é realizada sob anestesia geral, ou seja, o doente fica completamente adormecido. A sialendoscopia isolada pode por vezes ser realizada sob anestesia local com sedação. O anestesista discutirá consigo a opção mais segura com base na sua saúde e no procedimento planeado.
Posicionamento e Preparação da Pele
É posicionado com a cabeça virada para o lado oposto ao que vai ser operado. A pele é limpa com antissético e são colocados campos estéreis. Nas operações parótidas e submandibulares, a incisão é planeada para ficar numa prega natural da pele ou atrás da orelha, de modo a que a cicatriz seja o mais discreta possível.
A Operação
- Numa parotidectomia, o cirurgião faz uma incisão à frente e atrás da orelha, por vezes estendendo-se até à parte superior do pescoço. O nervo facial é identificado e seguido através da glândula. O tecido acima (e, se necessário, abaixo) do nervo é removido, preservando os ramos nervosos.
- Na excisão da glândula submandibular, é feita uma incisão na parte superior do pescoço. A glândula é cuidadosamente separada dos nervos próximos, o ducto é seccionado e a glândula é removida.
- Na excisão da glândula sublingual, é feita uma incisão no interior da boca, no pavimento da boca. A glândula é removida enquanto se protege o nervo lingual e o ducto submandibular.
- Na sialendoscopia, um endoscópio muito fino é introduzido no ducto através da sua abertura natural. Instrumentos pequenos, cestos, balões ou fibras de laser podem ser utilizados através do endoscópio para tratar o problema.
Durante muitos destes procedimentos, é utilizado um monitor de nervos. Trata-se de um dispositivo que ajuda o cirurgião a detetar o nervo facial ou outros nervos durante a operação e a reduzir o risco de lesão. No final da cirurgia, a ferida é fechada em camadas e pode ser colocado um pequeno dreno sob a pele para remover fluido durante um ou dois dias.
Duração da Cirurgia
As operações podem demorar entre menos de uma hora (para uma sialendoscopia simples) a várias horas (para uma parotidectomia complexa com esvaziamento cervical por cancro). O seu cirurgião dar-lhe-á uma estimativa com base no seu caso específico.
Recuperação e Cicatrização

*Imagem gerada por IA - apenas para fins ilustrativos. A precisão clínica não é garantida.
No Hospital
Depois da cirurgia, acorda numa sala de recuperação e é depois transferido para uma enfermaria. Muitas sialendoscopias e pequenos procedimentos intraorais são realizados em regime ambulatório. A cirurgia à parótida e à submandibular geralmente implica um internamento de um a três dias, por vezes mais tempo em operações oncológicas de maior dimensão.
Pode esperar:
- Alguma dor ou sensação de tensão à volta da ferida, controlada com medicação analgésica
- Um penso sobre a incisão e, possivelmente, um pequeno dreno que é removido assim que o débito de fluido diminui
- Uma dieta mole, começando com pequenos goles de água e progredindo conforme a tolerância
- Caminhar cedo pela enfermaria, o que ajuda a prevenir coágulos sanguíneos e infeções respiratórias
As Primeiras Duas Semanas
Já em casa, a maioria das pessoas lida bem com analgesia simples. O inchaço e os hematomas à volta do maxilar e do pescoço são comuns e vão diminuindo gradualmente. A ferida é mantida limpa e seca conforme as instruções recebidas. Os pontos ou clipes, se não forem absorvíveis, são geralmente removidos entre sete e dez dias. Comer alimentos moles e fáceis de mastigar durante a primeira ou segunda semana costuma ser mais confortável.
Regresso à Atividade Normal
Atividades ligeiras, incluindo trabalho de escritório, são muitas vezes possíveis após uma a duas semanas. Trabalho físico mais pesado, exercício e levantamento de pesos são geralmente adiados por várias semanas. Pode voltar a conduzir assim que conseguir mover-se confortavelmente, já não estiver a tomar analgésicos fortes e se sentir seguro para fazer uma paragem de emergência.
Recuperação Nervosa
Se o nervo facial tiver sido esticado ou contundido durante a cirurgia parótida, alguma fraqueza da face é comum nos primeiros dias e semanas. Na maioria dos casos, é temporária e melhora gradualmente ao longo de semanas a meses. A fraqueza permanente é incomum quando o nervo é preservado durante a cirurgia, mas o risco é maior em tumores maiores, mais profundos ou cancerosos.
Depois da cirurgia à glândula submandibular, podem ocorrer formigueiro, dormência ou fraqueza temporária do lábio inferior, que geralmente melhora com o tempo.
Consulta de Seguimento
Será observado em consulta após a cirurgia para verificar a ferida, rever quaisquer sintomas nervosos e discutir o relatório de anatomia patológica — a análise detalhada do tecido removido. Para condições benignas, o seguimento pode ser breve. Para os cancros, é habitual uma vigilância a longo prazo, com consultas e exames de imagem regulares.
Riscos e Complicações

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A cirurgia das glândulas salivares é geralmente segura em mãos experientes, mas, como qualquer operação, comporta riscos. O seu cirurgião discutirá os mais relevantes para a sua operação. As considerações comuns incluem:
Lesão Nervosa
- Fraqueza do nervo facial após cirurgia parótida pode afetar a sobrancelha, a pálpebra, a bochecha ou o canto da boca. A fraqueza temporária é bastante comum; a fraqueza permanente é incomum, especialmente em doença benigna, mas é mais provável em tumores maiores ou cancerosos.
- Fraqueza do nervo marginal mandibular após cirurgia submandibular pode causar um sorriso ligeiramente assimétrico, geralmente temporário.
- Lesão do nervo lingual pode causar dormência ou alteração do paladar num lado da língua.
- Lesão do nervo hipoglosso, que afetaria o movimento da língua, é rara.
Hemorragia e Hematoma
Por vezes forma-se uma coleção de sangue sob a pele (hematoma) após a cirurgia, podendo ser necessária drenagem. Hemorragia significativa é incomum.
Infeção
Infeções da ferida ocorrem num pequeno número de doentes e são geralmente tratadas com antibióticos e cuidados de ferida.
Fuga Salivar (Sialocelo) e Fístula
Depois da cirurgia parótida, a saliva pode por vezes acumular-se sob a pele (sialocelo) ou vazar através da ferida. Estas situações são geralmente resolvidas sem necessidade de nova cirurgia, com aspirações repetidas e tempo.
Síndrome de Frey
Depois da cirurgia parótida, algumas pessoas desenvolvem transpiração ou rubor da bochecha ao comer. Isto chama-se síndrome de Frey e é causado por fibras nervosas que voltam a crescer para o tecido errado. É frequentemente ligeira e pode ser tratada se se tornar incomodativa.
Dormência à Volta da Orelha ou do Pescoço
Pequenos nervos sensitivos da pele são por vezes seccionados durante a operação, deixando uma área de dormência perto do lóbulo da orelha ou da parte superior do pescoço. Isto costuma melhorar ao longo de meses, mas pode não recuperar totalmente.
Cicatrização
As incisões são colocadas em pregas naturais sempre que possível. As cicatrizes geralmente desvanecem-se bem, mas algumas pessoas cicatrizam com cicatrizes mais visíveis ou espessadas (queloides ou cicatrizes hipertróficas).
Boca Seca
A remoção de uma glândula geralmente não causa boca seca significativa, porque muitas outras glândulas continuam a produzir saliva. A boca seca pode ser mais problemática quando a cirurgia é combinada com radioterapia para tratamento oncológico.
Recorrência
Para tumores benignos, como o adenoma pleomórfico, uma remoção cuidadosa reduz muito a probabilidade de o tumor reaparecer. Para os cancros, a probabilidade de recorrência depende do tipo, do estádio e da integralidade da remoção, sendo monitorizada ao longo do tempo.
Riscos Gerais da Anestesia
Estes incluem reações à medicação, infeção respiratória e coágulos sanguíneos. São incomuns, e a avaliação pré-operatória é concebida para os minimizar.
A Vida Depois da Cirurgia das Glândulas Salivares
Para a maioria dos doentes com condições benignas, a vida depois da cirurgia regressa em grande parte ao normal dentro de algumas semanas. Comer, falar e engolir geralmente não são afetados depois de o inchaço diminuir. A cicatriz desvanece-se ao longo de meses. Se o problema fosse um cálculo ou uma infeção crónica, o alívio de deixar de ter episódios dolorosos recorrentes é frequentemente considerável.
Para os doentes com cancro, a vida depois da cirurgia envolve um plano de seguimento mais longo. Isto pode incluir:
- Tratamento adicional, como radioterapia, decidido pela equipa multidisciplinar com base no relatório de anatomia patológica
- Consultas regulares com exame do pescoço e da área operada
- Exames de imagem periódicos
- Terapia da fala e da deglutição, se necessário
- Cuidados dentários, particularmente se a radioterapia tiver feito parte do plano de tratamento
Se ocorrer fraqueza do nervo facial, os cuidados com o olho são importantes. Os médicos frequentemente aconselham gotas lubrificantes, pomada à noite e, por vezes, um penso protetor para o olho ou um peso temporário na pálpebra, para proteger a córnea enquanto a função nervosa recupera. A fisioterapia e os exercícios faciais podem ajudar durante a recuperação. Num pequeno número de casos em que a fraqueza não melhora, podem ser considerados procedimentos adicionais para reanimar a face.
A maioria das pessoas que fez cirurgia das glândulas salivares descreve o resultado como um alívio de um problema de longa data. O resultado estético, especialmente nas operações parótida e submandibular, é geralmente bom quando a cirurgia é realizada por uma equipa experiente de cabeça e pescoço.
Cirurgia das Glândulas Salivares em Crianças
As crianças podem desenvolver doenças das glândulas salivares, embora o espectro seja diferente do dos adultos. O inchaço parótido recorrente na infância (parotidite recorrente juvenil), os cálculos salivares, as rânulas, as malformações linfáticas e os tumores benignos estão entre as condições que podem precisar de avaliação cirúrgica.
Sempre que possível, os cirurgiões pediátricos de ORL e de cabeça e pescoço favorecem abordagens de preservação da glândula, como a sialendoscopia, particularmente na parotidite recorrente juvenil, porque a remoção de uma glândula numa criança é um compromisso de longo prazo que os médicos preferem evitar, exceto quando necessário. Quando é necessária cirurgia, esta é realizada sob anestesia geral num ambiente pediátrico, com anestesistas experientes no cuidado de crianças.
As considerações específicas para crianças incluem:
- Anatomia mais pequena, o que torna a preservação nervosa ainda mais delicada
- Atenção especial à localização da cicatriz, já que esta estará presente durante muitos anos
- Explicação e tranquilização pré-operatória adequadas à idade
- Envolvimento dos pais na recuperação e no seguimento
Os resultados nas crianças são geralmente bons. Se o seu filho estiver a ser considerado para cirurgia das glândulas salivares, o cirurgião deve estar disposto a explicar exatamente o que será feito, as alternativas que foram consideradas e a recuperação esperada, numa linguagem que o seu filho também consiga compreender.
Perguntas Frequentes
Ainda serei capaz de produzir saliva depois da cirurgia?
Sim. As outras glândulas salivares continuam a funcionar e geralmente compensam bem a remoção de uma única glândula. A maioria das pessoas não nota uma alteração significativa na saliva. A boca seca é mais provável quando várias glândulas estão afetadas ou quando a cirurgia é combinada com radioterapia.
Vou ficar com uma cicatriz visível?
A maioria das incisões externas é colocada em pregas naturais da pele ou atrás da orelha, de modo a que a cicatriz seja o mais discreta possível. As cicatrizes desvanecem-se ao longo de meses. A sialendoscopia e a cirurgia da glândula sublingual muitas vezes não envolvem qualquer cicatriz externa.
A minha face vai ficar fraca depois da cirurgia parótida?
Alguma fraqueza temporária de parte da face é comum depois da cirurgia parótida e geralmente melhora ao longo de semanas a meses. A fraqueza permanente é incomum quando o nervo facial é preservado, mas o risco é maior em tumores maiores ou cancerosos. O seu cirurgião explicará o risco específico da sua operação.
Quanto tempo vou ficar de baixa do trabalho?
Isto depende da operação e do seu tipo de trabalho. Muitas pessoas regressam a trabalho de escritório após uma a duas semanas. Trabalho fisicamente exigente geralmente requer mais tempo. O seu cirurgião dar-lhe-á uma estimativa personalizada.
Os cálculos salivares podem reaparecer depois da cirurgia?
Se a glândula que produz os cálculos for removida, os cálculos não podem voltar a formar-se nessa glândula. Se a glândula for preservada (por exemplo, depois de sialendoscopia), existe a possibilidade de se formarem novos cálculos, particularmente se houver razões subjacentes, como desidratação ou certos medicamentos. Manter-se bem hidratado e seguir o conselho do seu cirurgião pode ajudar.
Um nódulo numa glândula salivar é sempre cancro?
Não. A maioria dos nódulos das glândulas salivares, particularmente na parótida, são benignos. No entanto, qualquer nódulo persistente deve ser avaliado, porque alguns nódulos são cancerosos e um diagnóstico mais precoce tende a levar a melhores resultados. A decisão de operar é orientada pelo exame clínico, exames de imagem e, muitas vezes, biópsia por agulha fina.
Que tipo de anestesia é utilizado?
A maioria das operações mais importantes às glândulas salivares é realizada sob anestesia geral. Alguns procedimentos de sialendoscopia podem ser feitos sob anestesia local com sedação. O anestesista discutirá consigo a opção mais segura para a sua situação.
Vou precisar de mais tratamento depois da cirurgia?
Para condições benignas, a cirurgia é geralmente o fim do tratamento. Para os cancros das glândulas salivares, pode ser recomendado tratamento adicional, como radioterapia, com base no relatório de anatomia patológica e nas decisões tomadas pela equipa multidisciplinar.
Como devo cuidar da minha ferida em casa?
A sua equipa cirúrgica dar-lhe-á instruções específicas, que geralmente incluem manter a ferida limpa e seca, evitar levantar pesos e atividades intensas durante algum tempo, tomar a medicação conforme prescrito e comparecer às consultas de seguimento. Contacte a equipa rapidamente se notar aumento de vermelhidão, inchaço, secreção, febre ou agravamento da dor.
Conclusão
A cirurgia das glândulas salivares é um tratamento cuidadosamente planeado e bem estabelecido para condições que vão desde cálculos problemáticos até tumores benignos e cancros das glândulas salivares. A operação certa depende de qual a glândula envolvida, do que está a ser tratado e da anatomia e preferências individuais do doente. As abordagens modernas favorecem cada vez mais técnicas de preservação da glândula, como a sialendoscopia, quando adequado, embora as operações tradicionais, como a parotidectomia e a excisão da glândula submandibular, continuem essenciais para tumores e determinados cálculos.
Se está a preparar-se para a cirurgia das glândulas salivares, a conversa mais útil é com o cirurgião de ORL ou de cabeça e pescoço que viu os seus exames de imagem e o examinou. Ele pode explicar exatamente o que será feito, quais os nervos em risco na sua operação específica, qual será o aspeto da cicatriz e o que a sua recuperação particular provavelmente envolverá. Com cuidados cirúrgicos experientes e um acompanhamento claro, a maioria dos doentes ultrapassa um problema de longa data nas glândulas salivares e regressa a uma vida quotidiana confortável.